
Há uma parte do meu trabalho que normalmente não aparece nas fotografias que entrego aos noivos: continuar a aprender, observar outros fotógrafos e questionar constantemente a forma como conto uma história.
Este ano estive em Barcelona para a BODAF Europe 2026, um encontro dedicado à fotografia de casamento que reúne fotógrafos, profissionais da área e diferentes formas de olhar para aquilo que fazemos.
Para quem, como eu, procura fotografar casamentos de uma forma documental, estes momentos são importantes. Não para voltar com uma fórmula nova ou para começar a fotografar como outra pessoa, mas precisamente para continuar a desenvolver uma linguagem própria e uma forma cada vez mais consciente de observar aquilo que acontece à minha frente.
A fotografia documental de casamento depende muito da forma como observamos. É perceber relações, antecipar momentos e estar atento ao que está a acontecer sem precisar de construir constantemente a fotografia. Muitas vezes, aquilo que procuro dura apenas alguns segundos: um olhar, uma reação, um abraço ou uma emoção que aparece e desaparece sem aviso.
É precisamente essa imprevisibilidade que continua a fascinar-me na fotografia de casamento.
Participar num evento como a BODAF permite sair por alguns dias da rotina dos casamentos, ouvir outros profissionais, conhecer diferentes abordagens e, inevitavelmente, pensar também sobre as nossas próprias escolhas.
O que fotografamos. Porque fotografamos. E, sobretudo, o que queremos que uma fotografia faça sentir quando alguém voltar a olhar para ela daqui a muitos anos.